A Holanda nos olhos da Carolina


“No meu primeiro ano, aquela porta ao lado do elevador a dizer «AIESEC» sempre me intrigou. Um ano depois, a porta estava aberta. Decidi entrar e perguntar o que era. «Maior e mais antiga organização internacional de jovens estudantes do mundo, com o objetivo de promover a liderança», foi o que me disseram, e bastou! Inscrevi-me na hora, e toda uma viagem na AIESEC começou”. Esta história é de alguém que fez parte da AIESEC, sim. Mas é, também, a história de alguém que experienciou um dos estágios da AIESEC. “Uma pessoa só sabe do que fala a 100% após ter passado por isso. Promover após ter vivido a experiência faz-nos querer melhorar, partilhar ou incentivar alguém a fazer o mesmo”.

Após seis meses na AIESEC no ISEG, a Carolina Branco Marques candidatou-se à direção, passando a dirigir um novo departamento nesse escritório local – Marketing. Começou como membro de uma das áreas de operações, ficando com a responsabilidade de acompanhar estudantes portugueses que se inscreviam para fazer um estágio, mas rapidamente tomou o passo seguinte e decidiu arriscar. Agora, com 23 anos, recorda o porquê de ter feito um estágio profissional em 2016 na Holanda: “são as pessoas que interessam na AIESEC; são as experiências que desenvolvem a liderança de que tanto gostamos de falar, como membro ou como estagiário, completamente diferentes, mas essenciais. Vi o impacto destas experiências em estagiários que recebemos em Portugal, o que me fez querer passar pelo mesmo”.

Então lá foi, rumo à Holanda. Apesar de o destino não ter sido escolhido por si – foi um bónus que veio com a escolha do trabalho –, a Carolina não podia ter ficado mais contente, pois “tornou tudo ainda melhor!”. Não criou expectativas, porque não sabia bem ao que ia. Mas só o facto de ter celebrado o “Benfica Tricampeão e Portugal Campeão Europeu” superou tudo aquilo que poderia ter imaginado.

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Durante seis meses, estagiou na start-up Autheos, uma empresa com “um ambiente brutal, onde a inovação e o networking se sentem todos os dias”, com a responsabilidade de desenvolver uma estratégia de marketing digital para a Autheos. E o melhor de tudo? “Não precisava de trabalhar sentada numa secretária, podia ir para um sofá, para uma rede, desde que fosse produtiva!”.

A adaptação não foi difícil. Habituada a viajar desde cedo, não sentiu o tão falado e receado choque cultural. Ainda assim, houve, inevitavelmente, diferenças: “tive de me adaptar a andar de bicicleta para todo o lado, e não ir contra ninguém, por exemplo”. Rapidamente, tornou aquele espaço seu, durante os seis meses de estágio, pois, para a Carolina, “Amsterdão é uma segunda casa, e, possivelmente, um dia será a primeira”.

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Independência. É esta a palavra utilizada pela Carolina quando se fala das mais valias que o estágio profissional na Holanda lhe trouxe. O facto de ter ido completamente sozinha, para um país completamente novo, tornou-a numa pessoa mais independente, mais madura e, acima de tudo, mais responsável de si própria e das suas ações. Por acréscimo, veio a networking que criou, que, passado um ano, “ainda existe”.

A liderança de que tanto se fala na AIESEC foi, indiscutivelmente, desenvolvida durante o tempo passado na Holanda – teve de lidar com diferentes culturas, trabalhar num ambiente distinto do mercado português, ser responsável e independente, e, principalmente, aprender a gerir a sua própria liberdade.

Contudo, a Carolina deixa uma ressalva: “a minha experiência é diferente de experiência de quem nunca fez parte da organização”. Primeiro que tudo, sente que desenvolveu a sua liderança ainda como diretora de Marketing na AIESEC, mas não retira o enorme peso que estes seis meses representaram na construção e maturação desta capacidade. E perspetivas para o futuro? “Voltava e voltarei para o estrangeiro, mas não em estágio profissional, e sim em voluntariado!”.

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A Carolina decidiu sair da sua zona de conforto e arriscar, e fez um estágio profissional de seis meses na Holanda. Foi uma experiência diferente, sem dúvida alguma enriquecedora, que a fez crescer como pessoa e como profissional. O conselho que deixa para todos nós é simples: “todos deveríamos passar uma temporada lá fora. Uns querem ficar, outros desejam regressar. Uns adoram, como foi o meu caso, outros contam os dias até terminar. Mas todos, todos, sem exceção, crescem e tornam-se pessoas melhores”.

 

Artigo por Joana Fidalgo Figueiredo