Brasil: As memórias de uma experiência de voluntariado

Faz quase três meses que voei para o Brasil. Lembro-me perfeitamente do medo que tinha de perder algum voo ou a bagagem durante as escalas. Nunca tinha viajado sozinha de avião e ali estava eu, com uma mala do meu tamanho, a ir para um país desconhecido de onde só conhecia alguns membros da AIESEC que tinham falado comigo por Skype

Depois de mais de doze horas de viagem, cheguei a Pelotas, a cidade conhecida pelo nome “Princesa do Sul” e por ser a Capital Nacional do Doce. O aeroporto era minúsculo e, apesar de ser populosa, a cidade parecia ter ficado parada no tempo. Os edifícios, os carros, as estradas, tudo era diferente do que estava habituada. As pessoas causaram-me o efeito contrário, todas bastante abertas e simpáticas, com uma mentalidade de liberdade e respeito acima de tudo.

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O meu projeto consistia em dar aulas de inglês numa organização dedicada a crianças carenciadas, todas elas meninas. Depois da escola, era nesta organização que encontravam um lugar para brincar, aprender cuidados básicos, dançar, ter aulas de informática e fazer duas refeições que, para muitas delas, podiam ser as únicas daquele dia. Era uma satisfação tremenda quando via que elas ainda se lembravam do que lhes ensinara no dia anterior e que gostavam das nossas aulas. A minha colega de trabalho era tailandesa e foi das melhores pessoas que conheci nesta aventura. Ficámos muito amigas e, como lhe disse uma vez, não podia ter tido melhor buddy.

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Eu estive a viver com uma host family que, apesar de eu ter dado preferência a uma casa de estudantes, me surpreendeu imenso. Não poderiam ter escolhido melhor lugar para eu ficar. Realmente criámos laços muito fortes e rapidamente me senti em casa. Eles foram o meu grande pilar quando estive longe da minha família portuguesa e agora são o meu pai, mãe e irmão do Brasil.

Posso dizer que lidei bastante bem com as diferenças culturais, tudo o que era diferente acabava por ser interessante. Porém, o que mais me chocou e mexeu comigo na forma de viver foi a falta de segurança que se sentia sempre que se saía à rua. O que para eles é levado com naturalidade, para mim foi bastante difícil por conhecer uma realidade diferente em que tenho liberdade para ir onde quiser, quando quiser, e levar telemóvel e carteira comigo.

14284889_1421305344549637_211987886_oOutra das melhores partes foi a oportunidade de conhecer pessoas de diversos países que, tal como eu, estavam a fazer voluntariado em Pelotas. É incrível como se consegue fazer amizades tão facilmente e partilhar experiências com pessoas tão diferentes.

A despedida, como não poderia deixar de ser, foi banhada de lágrimas. As meninas encheram-me de cartas bonitas e abraços, fazendo-me prometer que voltaria. A minha família também não se conteve quando os abracei, foi muito difícil deixá-los, senti que estava a abandonar uma parte de mim.

Esta experiência foi das melhores que já vivi e dela  trago amigos para a vida.

                    Sónia

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