“Como é que fui parar ao Azerbaijão?”

A primeira questão que se põe é: como é que fui parar ao Azerbaijão? Eu chamo-lhe feliz coincidência.

 

Decidi que queria ir para um sítio novo e diferente e quando vi a oportunidade e tive de ir ao mapa ver onde ficava o país achei logo que era perfeito! Felizmente a minha família aceita a minha loucura e só perguntaram se não era Afeganistão. Não, ainda não! Na verdade só sabia que o Azerbaijão tinha ganho a Eurovisão uns anos antes (e com uma música tão pirosa! E em inglês, que ironia!). Pois é, lá ninguém fala a nossa língua global, mas isso não impediu a comunicação pois um convite para um açaí e docinhos equivale a um olá e a maravilhosa hospitalidade é abundante. Especialmente na minha host family, que todos os dias recordo com saudades ao olhar para o desenho no frigorífico feito por uma linda pequenina que adora as Winx, aprender inglês e ensinar russo e turco a portuguesas trapalhonas; para o chá oferecido pela melhor cozinheira do mundo ou para as memórias de cusquices antes de dormir com a minha host sister.

 

Mas como é óbvio não fui para o Azerbaijão para ficar em casa! Visitei imensos sítios com a equipa da AIESEC, desde montanhas, lagos, vilas desoladas, museus lindos mas vazios, até arranha-céus construídos com dinheiro mal investido do petróleo.

 

Sempre de máquina fotográfica na mão a registar todos aqueles lugares desconhecidos para o mundo desatento e pretensioso e que depois tanto trabalho em frente ao escasso ar condicionado iriam dar a organizar e relatar.

 

Mas houve uma vez – num minúsculo autocarro da era soviética, carregado com o peso do mundo: de pessoas de todos os cantos do planeta que num mês se tornaram amigos para a vida, a atravessar uma das poucas estradas do país e a cantar músicas de um CD argelino com um motorista com dentes de ouro – que pousei a máquina e fiquei só a absorver aquele momento perfeito. Percebi o quão sortuda era por estar ali, por perceber que o melhor do mundo são mesmo as pessoas e que todas as religiões e todas as culturas são especiais, mas que no fim podemos sempre juntarmo-nos para tentar fazer deste mundo algo melhor, através da partilha, do conhecimento e da felicidade. Sagol Azerbaycan! (Obrigada)

 

Maria Barros, Azerbaijão