Mudar o mundo aos pontapés

Hoje olho para tudo o que me aconteceu na vida e sei que esta apenas começou no Verão de 2015, passado no meio da América do Sul, mais concretamente na Bolívia. Estranho, certo? Será que os 19 anos anteriores não contam? Eles contam, mas foi somente na Bolívia que me apercebi do meu lugar no mundo e do poder que existe em cada um de nós para o mudar.

Enquanto a maioria das pessoas prefere calor no Verão, eu queria experimentar algo diferente. Por isso fui para a cidade de Oruro, Bolívia, dar aulas de futebol em escolas e orfanatos locais. Foram dois meses cheios de intensidade e histórias em pleno Inverno nos Andes. Conheci um recanto no outro lado do mundo, mudei vidas e fiz amigos para o resto da minha. Posso dizer com toda a certeza que é este tipo de experiência que nos faz crescer e nos acende a chama do desejo e da ambição para irmos atrás dos nossos sonhos.

Graças à AIESEC Bolívia sou uma pessoa muito mais completa, mas com noção de que somos um work in progress. Valorizo muito mais o tempo que me é dado e aquele que eu dou aos outros. Aprendi o verdadeiro significado de tolerância, espírito de sacrifício, capacidade de adaptação e amor. Acima de tudo sei que tenho em mim o poder para tornar o mundo um lugar melhor para mim e para os que me rodeiam.

Na Bolívia vivi experiências boas e más, mas saí sempre de todas as situações como um ser humano mais completo e preparado para enfrentar o mundo. Acordei no meio do deserto na fronteira com a Argentina sem saber como, perdi-me na Amazônia, fiquei doente, tive a vida em risco várias vezes, mas também conheci pessoas incríveis, amar ganhou um novo significado, fui aceite por um povo e por uma cultura a quem nada devia e que, no entanto, tanto me deram.

Dei aulas a cerca de 100 crianças, com idades entre os 2 e os 12 anos, cada uma com a sua própria história, algumas com problemas motores, outras com problemas graves na família (ou ausência desta), sendo que cada uma delas foi capaz de me impactar, ajudando a criar o Pedro de hoje, um gajo de 21 anos que sabe o que quer e para onde vai.

O mundo muda-se, não com um plano megalómano, mas com um enorme conjunto de pequenas grandes ações. Pequenas grandes ações como fazer uma criança sorrir e por momentos, fazê-la esquecer-se que é um órfão num país de 3º mundo. Pequenas grandes ações como o ajudar um idoso a descer de um autocarro no meio das montanhas bolivianas e facilitar-lhe o caminho para casa. O oceano é feito de triliões de minúsculas gotas, não por uma gota gigante.

Esta é apenas parte da minha história. Que história queres contar?

 

Pedro Andrade

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