Quando o destino te leva “para o sítio certo”

 

Quando parece que não há nada de novo para fazer na tua zona de conforto, se calhar é altura de a alargares. A Catarina Abreu sentiu necessidade de se desafiar um pouco mais e, por isso, decidiu que ia fazer voluntariado na China. Aqui fica um pouco da sua história!

 

O que te levou a fazer voluntariado internacional?

C: A necessidade de conhecer outras realidades, de me desafiar ao estar fora da minha zona de conforto e aprender que quando controlamos o medo de dar o primeiro passo, descobrimos um mundo com um olhar diferente. Essencialmente, a vontade de poder ajudar. Poder ajudar e saber que estava a deixar alguém feliz mesmo sem serem preciso palavras.

Porquê a AIESEC?

C: Já conhecia uma amiga minha que tinha ido pela AIESEC em voluntariado, e soube o quanto ela gostou e mudou-a enquanto pessoa. E desde aí, despertou em mim o interesse de um dia ter uma história de tão grande impacto para contar e a qual tinha vivido.

Qual o país/projecto que escolheste? E porquê?

C: Escolhi um programa na China, em Ningbo. Era um programa que incidia essencialmente sobre a partilha de diferentes culturas, da qual no total éramos 14 nacionalidades diferentes. Continuo sem saber o porquê, o porquê deste programa no meio de tantos outros, o porquê de ter ido para a China, deixei-me simplesmente levar pelo destino. E agora sei, e sei com as maiores certezas que o destino levou-me
. Um sítio tão pequeno, mas tantas histórias vividas, rodeada de pessoas que deram o sentido que precisava de descobrir para viver.

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Qual é que foi o teu maior desafio? O que fizeste para o ultrapassar?

C: O meu maior desafio foi, sem dúvida alguma, conseguir despedir-me das pessoas. Ter medo de ser um ‘Até já!’ transformado em ‘Adeus!’. Continua a ser um grande desafio o que vivo agora, sinto que ainda vivo o choque de ter voltado à rotina. Enquanto estava na China, a vontade de dar valor ao tempo e aproveitar para momento, deixou
-me sem tempo de pensar e ainda bem. Foi tempo de sentir, sentir todas as emoções. E sei que tinha ao meu lado, tudo o que me poderia deixar feliz, e que mudou por completo a minha vida. Agora sim, e como já disse, o desafio ainda vivo com ele, ao sentir este sentimento de saudades.

 

Em que é que a experiência ajudou no teu desenvolvimento pessoal?

C: Não sou uma pessoa que acredite em mim, e todos os desafios que coloco à minha frente, é para me conhecer. Conhecer quais os meus limites, é o que me dá motivação e propósito à minha vida. Foi um desafio, ouvir primeiro as palavras do meu coração, e depois a mente. Este foi o maior desafio, mas também o maior ensinamento que poderia ter tido. Enquanto tinha que confiar em cada passo que dava no mundo desconhecido, confiar que seria capaz de encontrar o objetivo de cada meta, confiar em mim.

Qual foi o maior choque que sentiste?

C: O maior choque, não senti lá. Vivo cá. Um choque que me leva a pensar que cada coisa que fazemos é sempre a pensar na forma como as pessoas podem interpretaram ou comentar. Na forma como, nunca fazemos o que queremos mas sim o que poderá ficar bem visto ao olhar dos outros. A vida é nossa, e só nos podemos deixar a nossa marca. Mais ninguém o irá fazer por nós. Dar valores aos pequenos detalhes da vida, sermos inspirador pelos pormenores que marcam a diferença. Sermos nós próprios, e nunca esquecer que a felicidade está na simplicidade, como os sorrisos das crianças.

 

Entrevista por Nicole Ludovino