Shaping Colombia: à conversa com o Eduardo

Após terminar o meu mestrado em Psicologia Social e das Organizações, o Eduardo  sentiu a necessidade de mudar de contexto e experienciar algo totalmente diferente. Por isso, aventurou-se rumo à Colômbia para um projeto na àrea da educação.


“Desde cedo percebi que tinha tomado a decisão certa. Assim como eu, dezenas de outros jovens de todas as partes do mundo ali estavam para tentar dar o seu contributo, e o espírito que se criou entre nós foi fantástico. Criei amigos com quem ainda mantenho contacto e ajudou-me a sentir-me parte da “aldeia global”. A nível de trabalho, foi até hoje a experiência mais recompensadora que tive, e que, apesar de requerer muita paciência, me fazia chegar a casa com um sorriso. Por fim, foi também uma oportunidade para conhecer a Colômbia e viajar, algo que sem dúvida deve ser feito por qualquer um que ingresse no projeto. É um país lindo, com uma cultura muito rica e pessoas que nos recebem de braços abertos. Com tudo isto, apercebo-me de como cresci e amadureci, e sinto-me hoje muito mais capaz de tomar riscos e seguir caminhos alternativos. “

Como foi viver num país diferente? Sentiste o choque cultural?

“Foi bastante bom para fortalecer a minha capacidade para me adaptar a novas circunstâncias. Sem dúvida que o choque cultural aconteceu, desde o momento em que cheguei. Claramente é um país ainda em desenvolvimento e em aspetos como transportes, higiene e segurança há algumas discrepâncias com Portugal. No entanto, estas “limitações” só me ajudaram a ultrapassar preconceitos e tornar-me mais autónomo e versátil.”

O que é que aprendeste sobre ti?
“Aprendi que a grande parte das limitações com que me deparava antes eram criadas por mim. Após ter de me estabelecer num contexto totalmente novo aprendi a relativizar coisas mais triviais, focando-me em pensar menos e agir mais. Sem dúvida que despertou em mim um ímpeto que não sabia que tinha, e espero manter esse espírito daqui para a frente!2

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E sobre trabalhar em equipa?
“Que todas as opiniões são válidas. Em conjunto com a minha professora auxiliar tive de desenvolver planos de aulas e rever conteúdos, e percebia que a mentalidade dela estava mais fixa naquilo que tinha ensinando durante muitos anos. Eu de uma certa forma trouxe algumas ideias novas para um sistema que ela considerava inflexível. No entanto, aprendi que é preciso que a dinâmica funcione, e o mais frequente é que a melhor solução seja uma combinação de algo estruturalmente seguro e algumas perspectiva novas para expandir as possibilidade dessa estrutura. Assim, contribuímos os dois.”

O que é que achas que mudou em ti com esta experiência?

“Sinto-me mais autónomo, independente e destemido para realizar projetos novos e alternativos. Sem dúvida que descobri em mim uma energia que não sabia que tinha, e que me preenche mais que nunca quando me dedico de corpo e alma a algo.”

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Como é agora a tua perceção das outras culturas, sentes que mudou de alguma maneira?
“Sinto que pertenço cada vez mais a uma comunidade incrivelmente grande repleta de variedade e vitalidade. Culturas que pensava serem radicalmente diferentes demonstraram-se como muito próximas em práticas e crenças, o que me ajudou a encarar qualquer pessoa como uma pessoa primeiro, com a sua personalidade, qualidades e defeitos, e desvalorizar os estereótipos e preconceitos associadas à sua raça e religião por exemplo.”


Que conselhos darias a alguém que estivesse a pensar embarcar numa experiência deste tipo?

“Os medos e ansiedades que podes vir a sentir são perfeitamente naturais. Existem porque ponderas embarcar numa experiência que tem um peso muito grande, e que importa ao longo de todas as componentes da tua existência. Os amigos, a casa, o trabalho e o país vão mudar, mas sem duvida que vai ser das experiências mais valiosas que alguma vez vais ter. Mesmo hesitando, dá um passo no escuro que vale a pena!”

 

Segue o conselho do Eduardo, aventurar-te e dá um passo no escuro!

  

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