Tudo o que precisas de saber sobre uma experiência no Paraguai

Após dois anos como membro da AIESEC, o Filipe sentiu vontade de embarcar numa experiência de voluntariado. Partiu, rumo ao Paraguai, com os dois objetivos principais: aprender espanhol e aprender a estar sozinho. Projeto cumprido, o Filipe volta e conta-nos se conseguiu concretizar as suas metas.

“Encontrar a minha oportunidade.

Fui membro da AIESEC in FEP durante 2 anos e no final deste período senti que a forma mais correta de finalizar o meu percurso seria realizar uma das experiências que a organização promove. Foi surpreendente o entusiasmo que senti por parte das pessoas a quem expliquei o que tencionava fazer, as quais se mostraram completamente disponíveis em ajudar-me a encontrar a oportunidade perfeita para mim, aquela que mais se relacionaria comigo e com os meus objetivos.

Um “quebrar” de rotina.

Parti para o Paraguai com objetivos bem definidos: aprender a falar espanhol, e sobretudo, aprender a estar sozinho. Obviamente, tinha também expectativa de aprender sobre a área em que a minha oportunidade se iria desenvolver – marketing. Contudo, uma das coisas que lá aprendi é que a maior parte das pessoas que embarcam numa experiência deste tipo tem como principal objetivo quebrar a rotina, e afastar-se um pouco da vida que levam.

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Viver outra realidade.

Foi a minha primeira experiência de voluntariado fora de Portugal. Às vezes, pelo facto de sermos jovens estudantes, podemos sentir que a nossa opinião não é devidamente valorizada, e não nos sentimos confortáveis para comentar se certas decisões estarão certas ou erradas. Lá nunca me senti assim. A minha opinião sempre foi ouvida, e acima de tudo, pedida e valorizada! Além disso, o facto de ser uma experiência internacional é o que te permite sair da tua zona de conforto. Sabes que, afinal de contas, muito brevemente irás regressar a casa, e, por essa razão, tens apenas aquele tempo para aproveitar ao máximo a experiência. É uma nova realidade, tens de ter capacidade de te adaptar a ela e tens ainda a enorme vantagem de te poderes desenvolver numa língua diferente.

Aprendi e desenvolvi.

No decorrer do trabalho que realizei, aprendi a trabalhar em vários programas de desenho gráfico e a fazer planos de marketing e comunicação. Gostei imenso porque tive a oportunidade de aprender e também concretizar trabalho nessa área. Por exemplo, deixei vários planos de marketing para se realizarem atividades e eventos novos e um programa para uma campanha contra o consumo de tabaco na faculdade que espero que um dia venha a ser realizada!

Larga as expectativas e vive!

Confesso que num momento inicial a minha experiência não estava a corresponder às minhas expectativas. Mas, a certo ponto, dei por mim a falar com qualquer pessoa, sobre qualquer assunto, sem grande dificuldade, e aqueles primeiros dias em que apenas fiquei em casa deram imediatamente lugar a momentos de confraternização com amigos que conheci no Paraguai. A partir desse momento, deixei de fazer Skype diariamente com amigos em Portugal porque comecei a sentir-me em casa no sítio onde me encontrava. Aí percebi que estava a viver uma oportunidade que provavelmente não voltaria a ter tão cedo e comecei a viver e a absorver tudo o que estava ao meu alcance!

 

Asunci—n, Praguay

Foi tudo surpresa!

Não conhecia o Paraguai nem procurei conhecer antes de lá chegar! Queria ser surpreendido. A oportunidade foi-me apresentada e aceitei sem hesitar. E mesmo consciencializado que iria encontrar uma cultura diferente, fui surpreendido pelas pessoas. Fui tratado por todos como família, como se o meu lugar fosse ali. Sinto que deixei duas famílias que terei para sempre no Paraguai.

Um pouco de história!

Na história mais recente do país, existiu uma grande guerra entre o Paraguai, a Argentina e o Brasil, em que o Paraguai sofreu uma perda de território acentuada (antes o seu território possuía costa marítima). Outra consequência dessa Guerra foi a morte ou desaparecimento de grande parte da sua população masculina, e, por essa razão, foram as mulheres que reconstruiram todo o país. Devido a isso, apesar de ser um país com desigualdade de géneros, esta não é no Paraguai tão acentuada como no resto da América Latina.

Comigo trouxe novas visões do mundo, imensas memórias e objetivos cumpridos. No fim da minha oportunidade, tenho plena convicção que realizar esta experiência fez todo o sentido.”

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